helene daros

                Lembro-me como se fosse hoje do dia que soube que estava grávida e todo o caminho que fiz para chegar até o dia 02 de outubro de 2018, data que minha filha escolheu nascer.

                Desde o inicio queria fazer um parto normal e respeitoso para nós, e assim as minhas buscas iniciaram começando pelo médico e, ainda bem, não foi difícil encontrá-lo. Quando me consultei a primeira vez com o Dr. Álvaro não tive dúvidas que ele seria meu obstetra, ele me passou toda tranquilidade e naturalidade do que é uma gestação e um parto.  Lembro-me de um quadro que ele tinha na parede, de uma mãe parindo e pegando seu filho nos braços com um sorriso lindo. Dr Alvaro me perguntou se aparentava algum sofrimento nessa foto, e é claro que, a resposta era não. Era dessa forma que gostaria que a Clarice nascesse. Desde esse momento tinha certeza que estava com o médico certo!

                Após essa consulta fui à busca de mais informações sobre parto: em livros, relatos de partos, rodas de conversas, experiências pessoais de amigas e profissionais. Nessas minhas pesquisas percebi a importância de ter uma doula para me acompanhar e preparar para esse caminho. E a escolhida foi a Tati!  Desta forma fui fortalecendo a minha vontade com o apoio do meu marido e família.

                E assim as semanas passaram e algo me dizia que a Clarice iria adiantar, mas como era minha primeira gestação as chances eram que eu chegasse até as 40 semanas ou mais.

Já nas consultas semanais, Dr Alvaro me perguntou se eu tinha algum palpite, eu, que estava com 36 semanas nesse momento, respondi que achava que seria com 39 semanas toda feliz achando que eu controlava algo.  Nessa consulta estava mais preocupada e ansiosa que o habitual e com medo de que eu não conseguisse parir, fiz perguntas clichês como: E se ela for muito grande? E se ela não girar para o lado certo? E se passar das 42 semanas? Eram tantos “ e se ” que o Dr Alvaro, para me acalmar, disse essa excelente e óbvia frase: Ela vai nascer! Essa frase ecoou em mim e fez com que eu percebesse que o mais importante iria acontecer, Clarice iria nascer, e não importava a maneira. Seria a melhor maneira dela de vir ao mundo.

                Com 37 semanas e 6 dias, numa segunda, estava eu lá,  no consultório novamente para mais uma consulta de rotina, tudo bem comigo e tudo bem com a Clarice. Vamos esperar!

                No dia seguinte à consulta, acordo assustada às 7h da manhã com a cama molhada. Sonolenta, sem entender muito o que estava por vir, falei para o meu marido que tinha feito xixi na cama e ele me responde: Xixi? É sua bolsa, amor! E, sim! Clarice decidiu nascer com 38 semanas. No tempo dela, do jeito dela! Mandei mensagem para o Dr. Alvaro, que prontamente me respondeu, e pediu para eu ir até o consultório. Chegando lá, ao me examinar, disse que apesar da minha cara de paisagem eu estava com 4 de dilatação e que me tornaria mãe hoje mesmo! Até esse momento, NADA de contração. Avisei a Tati, que me orientou e acalmou, para ficar em casa e que avisasse quando fosse para maternidade.

                Voltamos para casa e as ondas uterinas iniciaram tímidas e foram tomando forma e intensidade no decorrer da manhã. Já nesse momento estava totalmente conectada e concentrada em mim e na minha filha.  Tomei banho, comi entre uma contração e outra, arrumei minha mala para maternidade e fui me entregando para o momento.

Isso mesmo, “entrega”, foi essa palavra que fez com que a Clarice nascesse. Afinal, meu corpo sabia parir e minha filha sabia nascer. Nós estávamos conectadas e iríamos passar pelo parto juntas.

                Quando resolvemos ir para a maternidade as ondas estavam mais próximas e mais doloridas, andar pela casa já não era o suficiente para diminuir a dor e estava com medo de não conseguir ficar sentada no carro até chegar a maternidade. Não conseguia controlar o choro que vinha juntamente com as contrações para me aproximar ainda mais dela. Chegando ao hospital, a dor tinha tomado o meu corpo e eu não fazia resistência à ela, sabia que iria passar, e que a Clarice estava vindo.

Enquanto meu marido estava fazendo o internamento,  eu caminhava pelos corredores e a minha doula, Tati, estava comigo me lembrando da respiração e de relaxar os ombros e boca durante as contrações.  Lembro-me que a dor nesse momento corria pela lombar até a região da frente do quadril começando com menor intensidade até atingir um pico que depois diminuía.

                Já no quarto, Dr Alvaro fez o segundo toque e eu já estava com 9 de dilatação.  Lembro-me de não ter ficado admirada com o quanto eu estava de dilatação, porque eu queria somente estar ali, presente e sentindo tudo que o meu corpo era capaz de fazer para trazer a Clarice para mim. Fiquei no quarto mais umas 3 contrações e a vontade de fazer força tinha começado e então fui para o centro cirúrgico.

                Chegando lá já não abria mais os meus olhos estava totalmente em silêncio e focada. Fiquei debruçada na maca enquanto esperava o meu médico, meu marido e a Tati. O Dr Alvaro foi o primeiro a chegar e de uma maneira muito calma foi arrumando a sala e me sugeriu ficar sentada no banquinho de parto.  Sentei-me, e logo depois meu marido e doula chegaram e se sentaram em meu entorno. Meu marido atrás de mim, Tati do meu lado esquerdo e Dr. Alvaro do lado direito e esperamos as contrações. Este momento para mim foi o mais difícil e o mais dolorido, parecia que eu não tinha força ou não a fazia do modo certo, mas o mais incrível é que seu corpo sabe o que fazer, é só permitir. A vontade de fazer força vem e não tem como fazer resistência à ela.

                Foram minutos muito intensos e de muito suporte. Minha doula me abanava e colocava uma compressa molhada em minha boca, meu marido fazia massagem em minhas costas, enquanto Dr Alvaro monitorava o coração da minha pequena após cada contração. Todos em silêncio que só era interrompido por mim quando a contração vinha e eu chamava pela Clarice.  No decorrer das contrações, sentia que ela estava cada vez mais perto e eu só queria trazer ela para mim. Lembro-me da dor e da pressão que sentia ao fazer força e também de descansar após cada uma. Até que às 13:24, após ter mudado um pouco de posição, a senti saindo de mim e vindo direto para meu colo: Clarice, minha filha, bem vinda!

Eu e meu marido ficamos abraçados com ela, sentindo seu cheiro e ouvindo seu choro. Um momento muito íntimo e único do qual iremos nos lembrar para sempre. Sem dúvidas foi uma experiência incrível que transformou a nossa vida como família.

Após parir uma alegria tomou conta de mim e eu só sabia agradecer à Deus por esse momento, por ser mulher e por poder gerar a vida. A dor que eu passei já não lembrava mais.

Agradeço à maternidade Curitiba e as equipes de enfermagem que cuidaram tão bem de mim e da minha filha.

Ao doutor Álvaro pelo seu profissionalismo, atenção e carinho com minha família.

À minha doula Tatiana pelo suporte, dedicação e disponibilidade.

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