relato de marina gonçalves grosso

“Termina você de tirar o seu filho”

Relato de parto de Marina Gonçalves Grosso, paciente do Dr. Carlos Miner Navarro, do Grupo Nascer.

35 semanas e 4 dias. Esse foi o tempo que o nosso pequeno Mateus escolheu pra vir pra esse mundo. Chegou com tudo, forte, corajoso e sereno. 1 mês e 2 dias antes da data prevista. Já chegou nos mostrando como a vida pode ser imprevisível.

Dia 23/04/2018, segunda-feira (de calor em Curitiba), trabalhei o dia todo e na hora do almoço ainda fui comprar tecido para fazer as lembrancinhas da maternidade. Saí do trabalho, fui na minha sessão de fisioterapia pélvica, cheguei em casa, jantei e fui passar as roupinhas do Mateus (estava na fase de lavar tudo e organizar o quartinho). Foi aí que eu senti um peso no “pé” da barriga e o cansaço bateu.

Deitei e fiquei ali, tentando relaxar. Começaram então muitas contrações de treinamento, mas junto com uma leve cólica, bem leve mesmo… Nem em sonho achava que seriam as primeiras contrações e que teria chegado a hora.

Não dormi praticamente nada aquela noite, levantei, andei, tomei banho, voltei pra cama e nada. Esperei o dia amanhecer, liguei para o Dr. Carlos e pra minha doula Patrícia Bortolotto, contei da minha noite e eles falaram a mesma coisa, que pareciam ser as contrações do parto, mas que poderia ser um alarme falso. Combinei de ir depois do almoço no consultório para uma avaliação. Só se piorasse ou sentisse algo diferente que deveria ir antes.

Logo que chegamos no Dr. Carlos, ele fez o toque e sentiu que saiu um pouco de líquido com sangue, mas ficou na dúvida se realmente a bolsa já tinha estourado (naquela tarde já tínhamos uma ecografia agendada, então ele aconselhou que fossemos fazer a eco e voltássemos). Lá fomos nós. Eco feita, Mateus ótimo, líquido tinha baixado um pouco, mas inconclusivo se a bolsa realmente estava rota. Voltamos para o consultório e num novo exame não houve mais dúvidas: Bolsa rota e 3cm de dilatação. :O

Dr. Carlos, muito tranquilo, olha pra nós e diz: “Vai nascer hoje, vamos fazer o internamento!

“Oi??? Como assim, Meu Deus! Eu só vim pra uma consulta e já vou sair daqui com o meu filho nos braços?? Falta 1 mês e 2 dias! Não pode ser”, foi exatamente isso que pensei, mas o que eu realmente falei pra ele na hora foi: “Dr. Carlos, mas eu ainda não terminei as lembrancinhas da maternidade!” hahahaha

E assim, sem lembrancinhas, sem malas feitas, segui para o quarto, ligando para minha mãe ir na minha casa fazer malas, ligando pra doula, avisando a chefe que não iria no dia seguinte e mais um turbilhão de emoções…

Tinha chegado a hora. Em pouco tempo a Pati chegou. Começamos a caminhar e por quase 1 hora descemos e subimos as rampas da maternidade e pra minha alegria, evoluiu muito rápido. Quando voltamos pro quarto, já estava com 6cm de dilatação. Uma dor super tolerável até então. Estava muito confiante.

Mas depois dos 6cm as contrações ficaram muito doloridas e ritmadas, não tinha mais intervalo pra descansar, a “onda” como a Pati falava vinha cada vez mais forte pela minha lombar, uma dor difícil de definir, que eu não consigo comparar a nada. Já não conseguia conversar. Ficava cada minuto mais calada. Não gritei durante todo o TP, só pensava em canalizar toda minha força e energia pra trazer meu pequeno pro mundo e pedia que ele fosse forte lá também e que fizesse força pra sair.

Ficar no chuveiro não estava confortável, ficar em pé e deitada era ruim também, ficar sentada na bola era a melhor posição (ou a menos pior, no caso). Daí pra frente perdi um pouco a noção do tempo, só pensava que deveria estar perto, respirava, rebolava na bola, enquanto por horas a fio a Pati, incansável, massageava minha lombar (só assim eu tinha uma sensação de alivio).

Lá pelas 21h o Dr. Carlos me examina novamente e diz “Olha o colo do útero está muito fino, ele já desceu bastante, mas a dilatação não chegou aos 7cm…”

Escutar isso foi como um balde de água fria. Na hora, sem pensar duas vezes, falei “Quero analgesia então!”, Dr. Carlos concordou comigo, como minha bolsa estava rota, tinha sangue e o bebê era prematuro, seria melhor tomar uma dose pequena de analgesia, eu relaxaria um pouco e ele viria mais rápido. E assim fomos.

Só de saber que tomaria a analgesia, cheguei com quase 8cm no centro cirúrgico. Durante a preparação, o anestesista perguntou de 1 a 10 quanto estava minha dor e nem hesitei: “está 12!!!” e ele falou “se eu diminuir pra 6, você aguenta? Vou dar a dose mínima, só pra contração não vir tão dolorida, mas pra você continuar tentando total controle do seu parto”

Às 22h35 tomei a analgesia, em 10 minutos dilatação total e uma vontade louca de fazer força, muita força. Daí pra frente foi tudo muito rápido e intenso. Do meu lado direito, o Dr. Carlos me encorajava e dizia que estava evoluindo rápido, que eu estava muito bem. Do meu lado esquerdo, a Pati, acolhedora, falava pra eu fazer força, muita força, que estava muito perto, que já dava pra ver o cabelinho dele. E apoiando minha cabeça e meus ombros, o Felipe, incrível e seguro, falava no meu ouvido o quanto eu era forte, o quanto ele estava orgulhoso de eu chegar até ali e o quanto nos amava.

Parece que foram 5 minutos, 5 forças. Foram bem mais, o Felipe disse. Na minha última força, às 23h02, Dr. Carlos fala “pode parar”, abri os olhos e vi o rostinho do nosso filho, ele já estava ali com a gente. Eu nem podia acreditar. Nesse instante o Dr. Carlos me olha e diz “Termina, termina você de tirar o seu filho”.

Foi aí que eu renasci. Foi nesse instante que tudo passou a fazer sentido. Foi aí que eu tive certeza do milagre da vida. Puxei e ele veio quentinho, escorregadio e já com os olhinhos abertos, direto pro meu peito e sugou nos primeiros instantes de vida. Felipe cortou o cordão. Ele nasceu forte, não precisou de UTI e nem incubadora, pesando 2.505kg e medindo 45cm de puro amor.

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Depois disso, a “dor” não existia mais, tudo tinha passado, eu estava em êxtase, me sentia ótima, incrível, capaz de enfrentar qualquer coisa nessa vida. No dia seguinte já nem lembrava de como aquele dia foi dolorido. Hoje relato o que aconteceu.  Mas não relato a dor. Ela passou, e valeu muito a pena. Nada do que eu vivi até hoje se iguala a esse momento.

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Agradeço a toda equipe da Maternidade Curitiba, pelo cuidado e carinho.

Ao Dr. Carlos Miner Navarro, toda minha admiração, meu respeito e minha eterna gratidão pela sua competência e profissionalismo.

À Patrícia Bortolotto, minha doula, que esteve todo o trabalho de parto me encorajando, apoiando, segurando minha mão e passando toda confiança que eu precisava.

A Patrícia Goulart Marcondes, minha fisioterapeuta pélvica e Profª de Pilates gestacional, que preparou meu corpo para o parto e pro pós-parto, durante meses de exercícios e boas conversas.

Aos meus pais que passaram o dia correndo com malas, nervosos e ansiosos nessa longa espera, junto com a Mariliza e Heloisa, minhas amigas de infância que ficaram horas na maternidade, esperando por notícias, torcendo e indo atrás de tudo o que faltava, o meu eterno amor.

E por último agradecer ao Felipe, amor da minha vida, marido e pai incrível, que me deu o maior presente e esteve lá o tempo todo acreditando, transmitindo todo o amor que transbordava dele pra mim e pro nosso Mateus, por um gesto, uma piada, um sorriso, um olhar e um abraço.

 

 

 

 

 

 

 

 

*Relato e fotos enviados e autorizados pela paciente.

 

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