Mariana Weinhardt Gonçalves

Relato de parto – Mariana Weinhardt Gonçalves

Relato lindo, verdadeiro e de tirar o fôlego. Enviado e autorizado pela Mariana Weinhardt Gonçalves, paciente do Dr Alvaro Silveira Neto, Ginecologista e Obstetra do Grupo Nascer. Imagem: Amanda Nunes | Nascer em Foco.

A DPP do Joaquim era 13/07/2019 mas não tinha uma pessoa que não apostasse, talvez pelo tamanho que estávamos, que não chegaríamos até lá. Isso, somado ao medo de ter que pegar a estrada Lapa – Curitiba já quando tivesse os primeiros sinais e não dar tempo de chegar (tinha a intuição de que teria um parto a jato) nos fez unir o útil ao agradável e eu e o César ficamos direto no apartamento em Curitiba desde 25 de junho, em home office, curtindo o que achávamos que seriam os poucos últimos dias da nossa doce espera. E que acertada essa ideia, pois foi tão bom estarmos assim full-time em plena conexão. Trabalhávamos, descansávamos e víamos alguns amigos. Os dias iam passando, mas nenhum sem que alguém perguntasse: Nada ainda? Mas nós estávamos tranquilos demais.  E dia 13 foi se aproximando e eu não tinha indício algum de que estava pronta para parir. E foi bem nesta data que surgiu a necessidade do Dr Álvaro, nosso querido obstetra que nos acompanhava nesta caminhada há algum tempo e conhecia nossas dores e alegrias, teve a necessidade de viajar por não mais que dois dias. Ele me tranquilizou sobre minha falta de sinais de parto e sobre a equipe toda do grupo nascer estar ali para mim. Inicialmente fiquei realmente tranquila mas chegando em casa começou a bater aquele medo: e se o Joaquim resolve vir agora sem o Dr Álvaro? Foi este medo que me fez entrar em contato comigo e lembrar a razão pela qual o escolhi como obstetra: eu queria poder parir sozinha! E foi pensando nisso que percebi que tudo bem se não fosse ele que estivesse ali… seríamos eu, o Joaquim e o César e nossa amada Doula Niti (me apeguei muito à ideia de que ela estaria conosco para me tranquilizar) e seria perfeito! 

Mas que nada… o medo veio apenas para ensinar o que precisava e nada mais porque dia 13 passou e o Joaquim seguiu quietinho. Dia 14 o César tinha exame de faixa do jiu jiu-jítsu em São José dos Pinhais e queria muito fazer. Combinamos que ele iria atento ao celular e se algo acontecesse eu ia direto para a maternidade de Uber e nos encontrávamos lá. Que nada novamente… papai foi e voltou e mamãe e bebê dormiram lindamente uma manhã todinha. 

E os dias seguiam passando. Pronto, Joaquim, pode vir! Tio Álvaro já voltou e papai já tem grau na faixa. Não tem mais que esperar, pode vir. 

Mas ele seguia lá, mais que tranquilo no seu forninho. 

Dia 16 na nova consulta seguíamos “iguais” e então o Dr Álvaro recomendou acupuntura para ajudar a induzir o trabalho de parto. Foi aí que conheci a Tati com quem comecei a fazer as sessões. No início me animei. Ela colocava as agulhas e o Joaquim parecia que gritava de lá que ia sair, de tanto que se mexia…era o tempo de eu chegar em casa e ele ia sossegando novamente e tudo se “normalizava”. Neste meio tempo a Niti, quem havíamos escolhido como Doula e que nos ensinou tudo e mais um pouco durante nossa gestação, teve que passar por uma cirurgia de emergência. O que? Agora estamos sem nossa Doula? E ela não volta em um ou dois dias como o Dr Álvaro? Meeeu Deeeeus! E agora? Lá vem o medo novamente me fazer sentar, refletir e entender que na verdade eu tinha que confiar em mim. Meu parto não estava nos outros. Não estava na programação que faz parte de tudo na minha vida. Não seria na data prevista com as pessoas desejadas. Assim fui saindo daquele conflito de querer que o Joaquim nascesse logo e ao mesmo tempo pensar que agora estava sem a Niti. E foi então que a Tati, que tinha entrado em cena coincidentemente pela acupuntura passou também a ser minha Doula backup e me acolheu. Ok, tudo certo então: mamãe, papai, obstetra e Doula oks! E o bebê? Não, ele ainda não estava. E como era difícil fazer as pessoas que nos amam entenderem e aceitarem que estava tudo bem conosco. E assim nós, que ao iniciar as 38 semanas já ficamos de prontidão em Curitiba, batíamos tranquilos nas 41 semanas completas.

Eu estava imensa. Ia ao supermercado com o César para ver se me movimentava um pouco, tudo era difícil. Passei a fazer questão de ir sozinha e dirigindo às sessões de acupuntura louquinha pra ver se a Lei de Murphy imperava e minha bolsa rompia no trânsito, mas nem isso adiantou. Começamos os monitoramentos para ver se era hora de partir para a cesárea e o Joaquim seguia tirando nota 10, portanto, também não era o caso de seguir este caminho. Até que no dia 24 de julho, sem dilatação alguma, o Dr Álvaro me falou para começar pensar sobre a possibilidade sim de uma cesárea pois tudo indicava que meu corpo não responderia. Que balde de água fria o destino me dava! E meu parto à jato e cheio de emoções? Bem que sempre nos dizem, não criem expectativas sobre seu parto, você pode se frustrar.

Sofri! Não só pela expectativa, mas eu sempre fui tão conectada com meu corpo, por que agora ele não estava respondendo? A fofa da Amanda Nunes que tinha feito nosso ensaio e estava há semanas de câmera na mão nos esperando para fotografar o parto se inspirou e fez até post sobre “posdatismo”. No dia 26 levantei e me arrumei para a consulta do dia (já estavam acontecendo quase diariamente), quando recebi ligação da secretária do Dr Álvaro dizendo que ele estava num trabalho de parto e me atenderia direto na maternidade. Chegando lá, literalmente quem abriu o portão para entrarmos foi a Tati, que também estava lá por conta de outro parto. Só depois percebi o quão simbólico era aquilo. Nesta consulta ouvimos que chegávamos próximo do nosso limite, que talvez fosse a hora de tentar uma indução antes da cesárea. Oi? Assim? Hoje? Calma, preciso de um tempo para pensar e processar! (Mais tempo?) Não foi à toa que eu soube que a Tati estava na maternidade. Abusei dessa informação e o César foi correndo atrás dela para que viesse me dar o colo que eu precisava. E foi conversando com ela que consegui assimilar e aceitar que era chegada a hora de uma intervenção, que meu corpo não havia respondido e que eu não precisava me provar mais nada tentando mais, esperando mais. Eu já tinha aguentado muito mais do que o normal, já tinha mostrado ser a melhor mãe para o Joaquim e esperar o momento dele. Eu não tinha mais que esperar. Voltamos para nossa consulta que tinha ficado em stand by e decidimos que iríamos sair almoçar e passar em casa fechar as janelas e pegar as malas. Já que não tinha sido assim, imprevisível, eu queria então fazer no meu tempo.

Saindo dali liguei para minha mãe pra contar que talvez era chegada a hora quando ela me disse: 26 de julho, hoje é dia de São Joaquim! Não tive dúvidas, estava na hora! Fizemos tudo com calma e às 16h eu fiz o internamento e tomei o primeiro comprimido para indução. Avisada de que seria apenas uma tentativa que poderia não dar resultado, mesmo que o César seguisse confiante.

Às 18h tomei o segundo e às 19h eu tinha 3 cm de dilatação e mais nenhum outro sintoma. Dr Álvaro iria em casa e voltaria às 22h para reavaliar como seguiam as coisas depois que eu tivesse tomado mais uma dose às 20h.

Neste meio tempo tomei banho, jantamos, assistimos tv… sempre mentalizando meu desejo de ainda conseguir ter um parto normal, mesmo que os indícios disso ainda fossem poucos. Enquanto isso o César me dizia que deveríamos descansar para ter energia já que na cabeça dele se o trabalho de parto fosse acontecer provavelmente iríamos até o dia seguinte. Não sei exatamente a hora mas passado um pouco das 23h eu tinha 4cm de dilatação. Foi decidido então pelo descolamento de membrana. Neste momento estávamos eu, o César e o Dr Álvaro já que eu me comunicava com a Tati e a Amanda dizendo que ainda não sentia nada e que era cedo (ledo engano) para elas irem para a maternidade. Descolada a membrana iríamos para a ocitocina… não deu tempo, não deixei colocarem pois em algum momento foi como ligar uma chave… senti uma dor insana do nada e corri pro banheiro. Cadê minha doulaaaaa? Por que eu disse que ela não precisava estar aqui? Como assim? O que está acontecendo? O César foi rápido, ligou para a Tati e a Amanda que foram mais rápidas ainda e chegaram em não mais que 15 minutos, às 23h45. Entre a ligação e a chegada delas o César resolveu abrir o aplicativo de medir as contrações que chegaram de repente e nos demos conta que estavam com duração de 30/50s e intervalos de 1 minuto e meio. Playlist??? Tira essa música pelo amor de Deus!!!

Em que momento a gente escuta música, passa os óleos essenciais ou faz acupuntura no trabalho de parto??? Não existia intervalo para isso. Eu estava com 7 de dilação, e no meio tempo entre tirar minha roupa e regular a temperatura da água para fazer um banho de alívio tudo evoluiu muito rápido e eu entrei embaixo do chuveiro e comecei a fazer força. Só ouvia ao fundo: ela está no expulsivo!  Que dooor! Que rápido! Que intenso! Quando é que eu descanso? Não conseguia pensar em largar a mão da Tati, que me massageava, abraçava, acolhia, para entrar no centro obstétrico por uma porta e ela pela outra já que ela ainda tinha que se trocar. Diferente do que eu queria… depois de aceitar que o parto que eu esperava já não aconteceria mais, e provavelmente acabaria numa cesárea fui pega de “surpresa” por um parto a jato!

Pedi analgesia! Aos 45 minutos do segundo tempo. O Joaquim estava chegando e eu queria me “recompor” para recebê-lo. A analgesia fez efeito, olhei para o relógio e era 1h10. Neste momento se posicionaram ao meu lado César (ele realmente “pôs a mão na massa e me apoiou fisicamente), Tati e Amanda, o Dr Álvaro já estava ali desde minha entrada no centro obstétrico, e eu começo a ser conduzida para fazer força…. tentei algumas vezes, na minha cabeça umas 3 mas não faço ideia de quantas foram mas com a analgesia foi necessário o uso do vácuo extrator. Quis sentir medo, não deu tempo. 1h31 do dia 27/7/2019, com 42 semanas completas o César dizia: você conseguiu, ele nasceu! E eu sentia o Joaquim queeeente e molhado no meu peito. Nesta hora parecia que tudo tinha sido rápido como um flash! Acho que foi! Que emoção. Mas ainda assim deu tempo de lembrar da voz da minha mãe dizendo: quando teu filho nascer diga uma palavra de benção a ele. “Joaquim, eu te amo. Deus te abençoe”, foi o que eu disse exausta, inundada de amor curtindo minha hora de ouro num “parto a jato”.

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