cordão umbilical

Evidências científicas comprovam que a transfusão de sangue entre a placenta e o recém-nascido pelo cordão umbilical aumentam as chances de vida de bebês vigorosos e que necessitam de reanimação.

Artigo recente publicado na revista científica Frontiers in Pediatrics divulgou a recomendação atual para o manejo do cordão umbilical de bebês que precisam de reanimação ao nascer. Segundo os pesquisadores, clampear o cordão umbilical tardiamente aumentam as chances de vida de bebês que nascem com dificuldade de respiração (asfixia).

“Sabe-se que o clampeamento tardio do cordão umbilical é benéfico para o recém-nascido pois reduz a chance de anemia do lactente, portanto a SBP recomenda o clampeamento com 1 a 3 minutos em bebês vigorosos. Porém estudos tem discutido outros benefícios do clampeamento tardio, inclusive em bebês que nascem deprimidos e com asfixia perinatal”, comenta a médica pediatra Bianca Cavichiolo, de Curitiba, que é paciente do Grupo Nascer de Curitiba e também parceira da equipe na sala de parto.

Dra Bianca acrescenta que “parece que o maior aporte de sangue enviado ao recém-nascido diminui atividade inflamatória, melhora o debito cardíaco, reduz hipovolemia e aumenta o fluxo sanguíneo renal e cerebral, reduzindo assim os desfechos mais graves da asfixia. Discute-se portanto, em recém nascidos que nascem deprimidos, a realização de reanimação neonatal com o bebê ainda conectado a placenta”.

Segundo o artigo, estima-se que um milhão de recém-nascidos no mundo sofram de asfixia perinatal, o que os leva a riscos de desenvolver encefalopatia hipóxico-isquêmica (HIE) devido ao fluxo sanguíneo inadequado e a baixa entrega de oxigênio ao cérebro neonatal e outros órgãos vitais, como coração e rins. A incidência de HIE é de 1 a 3 em cada mil nascimentos a termo em países de alta renda. Em países de baixa renda, o número é entre 15 e 20 vezes maior.

Evidências científicas mostram que quando o cordão é cortado rapidamente, a criança não tem acesso a aproximadamente 30 mL / kg de sangue – cerca de 30% do volume sanguíneo placentário fetal em um termo neonatal. A transfusão placentária para o bebê aumenta o fluido de sangue para os leitos circulatórios enquanto os vários órgãos da criança

(pulmão, fígado, rim, etc.) assumem as muitas funções mantidas pela placenta durante a vida fetal. Perder esse sangue adicional pode aumentar os processos inflamatórios. Dados recentes sugerem, ainda, que cortar ou clampear o cordão antes do início da respiração leva a reduções na freqüência cardíaca, diminuindo o fluxo sanguíneo pulmonar.

“Garantir uma transfusão placentária adequada para esses bebês que nascem com asfixia pode ser um passo importante para chegarmos a um resultado satisfatório. Nós, do Grupo Nascer, já entendemos e praticamos o clampeamento tardio do cordão umbilical. Com as novas evidências científicas, a prática se torna ainda mais importante. Lembrando que a presença de equipe multidisciplinar alinhada melhora muito a experiência do parto”, finaliza a dra Juliana Chalupe, médica Ginecologista e Obstetra do Grupo Nascer de Curitiba.

Acesse o artigo completo na página da revista Frontiers in Pediatrics.

Grupo Nascer

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