“Você precisa ajudar o seu bebê a nascer”

Relato de parto de Anie Couto, paciente do Dr. Alvaro Silveira Neto, do Grupo Nascer.

Esse é o relato de parto do nosso terceiro filho.
Nossa primeira filha nasceu em 2013 de cesária com 41s + 3d. Queria muito um parto, mas por inexperiência e insegurança, acabamos nos rendendo à cesária. O que me deixou bastante frustrada porque não senti nada, nem uma contraçãozinha sequer. Nasceu ótima, minha recuperação foi ótima, com um GO humanizado.
Já nossa segunda filha nasceu em 2015 com 40 s + 4d e pude experimentar um parto natural com um GO maravilhoso, que nos proporcionou a plenitude de uma experiência única de um parto humanizado.
Podia ter parado por aí, mas Deus nos presenteou com mais uma gravidez em 2017, agora de um menino. E, de novo, na minha mente e em meu coração, me veio a lembrança e a vontade de vivenciar todo o processo novamente.

Esse bebê não foi planejado, portanto, algumas inseguranças vieram à tona. Mas uma certeza eu tinha, ele nasceria em um parto humanizado com o mesmo GO da nossa segundinha. Dr. Álvaro Silveira Neto, que já havia nos provado, com sua calma e profissionalismo, sua missão de trazer ao mundo bebês em segurança da forma mais
natural e humanizada possível.

Nas últimas semanas de gestação, encontrei uma doula voluntária iniciando sua carreira com todo seu amor por essa linda profissão. A Yasmin Benradt foi um anjo. Mais uma vez Deus nos mostrando seu cuidado conosco. Fiquei feliz, afinal teria mais alguém além do meu marido para me auxiliar com as dores do parto.

As 40 semanas se aproximam…
As contrações de treinamento vinham, paravam e eu sempre na expectativa. Completamos as 40 semanas no dia 24/06/2018. Mais uma vez eu teria que ser paciente e lidar com a ansiedade. Dessa vez a barriga ficou muito grande, ou seja, mesmo não tendo problema algum de saúde, os incômodos normais da gravidez já eram grandes desde as 30
semanas. Já estava cansada, lidando com 2 filhas pequenas mais um barrigão enorme.

Com 40+2, dia 26/06/2018, fizemos uma ecografia.  Nosso Calebe estava grande!!! No laudo chegou a sair nas conclusões a expressão “macrossomia fetal”. Era um bebê de mais de 4kg. E a mãezinha aqui de 1,55m de altura, pequena, ficou com medo. Apesar de saber que, não tendo diabete gestacional, somente o peso/tamanho estimado do bebê não é suficiente para uma indicação absoluta de cesária. Enfim, Dr. Álvaro estava tranquilo (como sempre) e estava tudo indo bem.

Passei o dia com contrações irregulares, só na expectativa. Chegou a noite, meu marido teve que ir para uma reunião depois das 20h. Coloquei as pequenas pra dormir (com algumas dores, nada fortes) e fui descansar. Meu marido chegou perto das 23h e pedi que fizesse a mala dele, eu estava achando que as dores estavam se intensificando.

Já passado da meia noite, dia 27/06, escutei um estalo vindo da minha barriga. Pensei: que bizarro! Que será que Calebe aprontou?

Estava deitada. Quando dei uma levantadinha, senti uma aguinha. Fui ao banheiro e mais água…voltei do banheiro, ao lado da cama e continuei a “vazar”. Demorei a realizar que era a bolsa. Ainda não tinha vivenciado um parto iniciado com o rompimento da bolsa. Eu não queria chegar muito cedo na maternidade (tinha feito isso no parto anterior), mas com a bolsa rota, decidimos ir.

A ‘boa hora’ estava chegando
As contrações já estavam mais doloridas, e eu mais uma vez feliz porque a ‘boa hora’ estava chegando. Falei com a doula que estava indo pro hospital, informaria caso fosse internada.

Chegando no hospital, a plantonista nos atendeu, fez o toque e…1 de dilatação. Isso era passado da uma e meia da manhã. Que decepção, queria muito que fosse mais. Ela ligou para o Dr. Álvaro e informou a situação. Ele solicitou o exame de cardiotoco e pediu a Dra. Juliana Chalupe (um amor, também parte do Grupo Nascer e estava acompanhando outro parto) que acompanhasse e visse o resultado do exame, informando a ele.

Subi pro quarto, as dores começaram mais fortes e a doula chegou. Dra. Juliana foi me ver e passado cerca de uma hora que eu estava ali, ela fez o toque novamente. Para meu espanto, estava com 6!!! Ela chamou o Dr. Álvaro que logo chegou.

Bom, essa parte é dolorida demais…
Dilatar até o final é doloroso… Eu lembrava bem disso. Me lembro de mais um toque, já com o dr. Álvaro e ainda estava com 7, parecia não estar evoluindo mais, apesar de que, dessa vez parecia doer mais. Me lembro de perguntar as horas pro meu marido, ele falou que eram 3h30 da manhã e eu estava sentindo dor demais pra ser tão cedo.

Chuveiro, bola, massagem, compressa de água quente, gritos e urros de dor. Acho que acordei a maternidade inteira naquela madrugada.

Doula massageando a lombar e marido firme e forte suportando meus apertões e meus “não aguento mais” – que eram só da boca pra fora, eu teria que aguentar e sabia disso. Os ‘puxos’ apareceram, hora de ir para o centro obstétrico. Fui andando, poucos metros que pareciam não acabar nunca, não queria ter outra contração no corredor, mas tive!! Na portinha do CCO lá estava eu gritando, agachada.

Entramos e o pânico tomou conta de mim. A cabeça de uma mulher parindo tem que estar muito preparada e eu, dessa vez, tive medo…muito medo. Talvez impressionada pelo tamanho de Calebe, não sei. Dei uma travada e Dr Álvaro teve que me chamar para a realidade. Ele disse olhando bem nos meus olhos “você precisa ajudar o seu bebê a nascer”…”Anie, ele precisa nascer agora”.

 

    

Meu marido não chegava, parecia que estava demorando uns 10 anos pra vestir a roupa…mas só deu tempo de uma contração, que dessa vez fui forçada a agarrar a mão do Dr, o único que estava ali. (Agora dá vontade de rir alto da situação). Marido finalmente chegou, doula também.

O Dr. me ‘ajudou’ a dilatar o que faltava, mas me informando o que faria, na presença do meu marido, demonstrando respeito e cuidado. Os batimentos de Calebe caíam e voltavam, eu precisava me concentrar, respirar e forçar com eficácia. Fomos para o banquinho e finalmente me concentrei, não sei quanto tempo se passou desde a minha chegada no CCO, mas acredito que ali no banquinho, eu não tenha ficado mais que meia hora fazendo força, tentando seguir as orientações precisas do Dr. Álvaro. Tentando respirar – meu marido atrás de mim sempre me lembrando disso.

E eu, dessa vez, realmente achando que não iria conseguir, quando ouvi a doula dizendo “mas você já conseguiu”. A cabecinha já estava ali, Dr Álvaro me falou para encostar com a mão, não consegui (de novo). Nesse momento, as habilidades e experiência de um bom médico fizeram toda a diferença. Alguma coisa não estava certa. Dr. Álvaro percebeu uma distócia de ombro e agiu rapidamente. Tracionou Calebe para fora. Não foi possível esperar o cordão parar de pulsar, já clampeou e levou Calebe pro pediatra que estava de prontidão. Meu marido foi atrás, acompanhar o que seria feito com ele.

Nessa hora que eu realizei que alguma coisa tinha sido diferente. Minha confiança no dr. Álvaro me fez acreditar que foi preciso fazer tudo muito rápido. Normalmente o bebê viria direto para os meus braços. Dessa vez não foi assim. Calebe não estava em boas condições para isso. Orei a Deus pelo meu filho. Não sei ao certo quanto tempo passou, mas tenho certeza que foram poucos minutos.

Logo ouvi o chorinho dele de longe e a tensão foi embora. Meu Deus!!! Quanta emoção!! Dr. Álvaro me explicou o que aconteceu e dei graças a Deus por estar com um profissional tão competente. Subi na maca, pari a placenta e logo Calebe chegou. Senti seu cheirinho gostoso, sua pele quentinha e pensei: Conseguimos!!! Mais uma vez!!! A distócia não deixou sequela nenhuma no nosso bebezinho. Ele estava ótimo!!!

relato de parto de anie couto   

Então Calebe nasceu, com 3,725kg, 52 cm de 40s + 3d com bolsa rompida naturalmente, em um rápido trabalho de parto de um pouco mais de 5 horas desde o rompimento da bolsa. Um parto com respeito, sem episio, sem manobra de kristeller, sem jejum, sem ocitocina sintética, sem rompimento de bolsa, sem tricotomia, sem analgesia, na posição que me senti mais confortável e no local que me senti mais segura.

Por um momento achei que não conseguiria e isso atrapalhou o andamento do parto. Então, se você acredita que pode parir, siga convicta por todo o processo, tenha ao seu lado profissionais, pessoas que você confia e siga firme. Caso algo saia dos seus planos, não há problema nenhum porque você estará amparada por esses profissionais.

Confie na natureza perfeita de Deus. Ele fez a mulher perfeitamente para conseguir, não deixe que mitos, inverdades, tire de você essa experiência incrível.

Meu agradecimento especial ao Felipe, marido dedicado e sempre presente, sem ele eu não teria forças.
Ao Dr. Álvaro pela delicadeza, paciência comigo e principalmente por nos tratar de forma respeitosa.
À doula querida, Yasmin, que dedicou seu tempo, sua madrugada em me oferecer mais conforto nesse momento tão especial.
A Deus, que nos permitiu mais uma vez experimentar seu cuidado e perfeição.
A chegada do Calebe foi especial, nunca vamos nos esquecer disso.

 

*Fotos e relato enviados e autorizados pela paciente.

 

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